quinta-feira, 21 de abril de 2011

ARCO-ÍRIS

O optimismo e, o que aqui intitularei, efeito arco-íris intrínsecos a uma pessoa, apesar da sua não intrinsecidade pode perfeitamente ser alcançado laboriosamente e pacientemente, se assim o entenderem, por outras pessoas, por qualquer um. Fazem, como exemplo, passar a ideia – desconheço sinceramente se verdadeira ou falsa – de que o povo africano possui essa alegria de viver e essa positividade inerente à vida ela própria (pois, nem que seja pelo singelo facto se viver), independentemente das características e facticidade desta; independentemente do tempo e espaço, da sociedade e cultura, saúde e bens materiais. A ideia é a de que África é a bandeira do efeito arco-íris.
Devo, porém, realçar que este tipo de comportamento respira muito mal com pessoas que estejam no outro pólo: obscuras, pessimistas. As cores vivas do arco-íris ferem os olhos escuros dos morcegos. O choque é doloroso, fundamentalmente pelo facto da luminosidade provocar sentimentos de incapacidade, desgosto e impotência naquele que é negro. Constatam a sua infelicidade como também as suas frustrações, levando com a estocada final através da ulterior e irrevogável frustração: não terem a capacidade de acender as luzes. Não é irremediavelmente assim, fiz questão inicialmente de clarificar que, é possível, de todo, superar um pessimismo compreensivelmente natural; contudo, deve sê-lo feito por eles próprios – é de uma enorme crueldade serem invadidos por cores de outros, por aquilo que ainda não são e que se vão consciencializando quererem vir a ser. Porventura, para alguns é uma ajuda principalmente para quem ainda é jovem, mas na maioria dos casos (a partir de uma certa idade mais profunda) a incompatibilidade e o antagonismo das cores resultam num duro e, quiçá, insuprível revés no seu bem-estar que não era por si só positivo.
Na realidade, é de notar que, não obstante o demonstrado, optimismo não é um sinónimo de felicidade, muito menos pessimismo de infelicidade. Importante é cada um entender quais os constituintes da sua natureza – inclusive a cor da sua personalidade – e, daí contrariar os que lhes poderão ser, no futuro, mais desfavoráveis e, aceitar os favoráveis aperfeiçoando-os. Acredito num mundo em que os arco-íris sejam vistos na noite e, em morcegos que voam alto em direcção ao sol.

21/04/2011

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