segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

EXISTES?

Completa-me vazio cheio de nada

que extravasa o infinito do tudo.

Exagera-me como fogo

quente escaldante e gélido de cortante.

Encontra-me pois encontrar-te-ei e

encontrar-nos-emos sem cedermos

a nós mesmos.

Grita-me,

grita pelo meu nome bem alto

até se tornar num som surdo de habituação.

Acena-me com as tuas mãos

que eu não conheço nem toco.

Olha-me cegamente

em visão diferente da dos outros,

da das indiferentes personagens da vida.

Importa-te porque eu sou

a personagem principal para o bem e para o mal.

Sorri para mim

com brilho incandescente e transparente

para conseguir chegar bem longe

até onde o desconhecido se desconhece.

Acarinha-me sem eu sentir

que já não sinto tristeza ou alegria

ou vida ou morte.

Acarinha-me acarinhando-me em ti.

Partilha-me

e suga todo o meu sumo

e a minha carne que tenho para partilhar

outrora e agora comigo

partilho-a um dia contigo.

Acorda-me de um sono real

de um sonho verídico e fatídico;

um sonho onde acabo num beco sem saída.

Puxa-me desse beco

e ensina-me o verdadeiro caminho,

a rua principal onde não existem

curvas nem atalhos.

Acaba comigo,

o que em tempos foi vida

e começa voluntariamente

o fim do que é belo.

Agarra-me a mão,

entrelaça-me os teus dedos nos meus

e vamos fugir para nossa sorte

para a minha salvação e a tua benção.

Ilumina-te para eu conseguir ver-te

porque na verdade ainda não te admirei.

Quem és tu?

Existes como eu existo

ou sou eu uma existência única?


23/12/2004

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