terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Bem é (o) Conhecimento

Gradualmente o estudo da Filosofia e, inerentemente (deve sê-lo), o estudo de todos os saberes está-me a conduzir ao limiar da loucura. Ressalvo limiar visto crer que a loucura é meramente patológica.
À medida que os dias, meses (anos não menciono para já, assusta-me só pensar) vão passando, esta relação esquizofrénica entre mim e o saber, além de condicionar ligeiramente (adivinho que no futuro o advérbio de modo aplicado será precisamente o antónimo deste) o meu comportamento social, condiciona simultaneamente a relação, que tanto valorizo, do meu eu com a minha solidão. Todavia, no primeiro caso posso e podem lamentar que tal suceda, agora no segundo caso instintivamente e, num primeiro momento, lamentaria; mas, depois de uma fria e profunda análise reflexiva compreendo que a vida, deste modo, é um corpo que vou alimentando sem que seja saciado. A vontade de comer é óptima, o prazer de me alimentar é mais do que óptimo e, a insaciedade contínua – depois de todo este processo que consiste na vontade de comer e a sua concretização – é infinitamente maravilhosa.
Ora, que se dane a socialização e relações pessoais; que se dane o supérfluo, repentino e passageiro sofrimento que me presenteia a minha solidão bélica. É inigualável o prazer de querer comer ainda mais depois de tanto comer: por muito que coma não engordo e o prazer dos momentos de refeição não se perde por entre outros males que, quanto a mim, são puramente secundários. O grande mal está na insaciedade, mas na verdade é um mal aparente visto não ser mais do que um imenso e absoluto bem. O bem pelo e para o qual nasci; quero acreditar, o bem pelo e para o qual nascemos.
Talvez seja, posto isto, inevitável afirmar a inevitabilidade de uma misantropia?...


Novembro de 2010

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