quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fora do Jogo mas Dentro da Arena

Pergunto - fazendo questão de deixar claro que eu não sou quem sou mas quem observa e escreve -: Porquê estudar Filosofia, Sociologia ou quaisquer outras ciências sociais e humanas quando já todos pensam serem filósofos, sociólogos e, por aí a diante, sem o estudo necessário que é sempre tão necessariamente necessário e contingente mesmo para os estudantes e praticantes? Nenhuns não-estudantes de engenheria, biologia, química, física, medicina (entre outras ciências naturais e técnicas) se demonstram perante os reais equivalentes estudantes como tão conhecedores, ao ponto de discutirem mano a mano questões relativas a tais disciplinas do saber.
É caso para concluir que há ciências que estão sujeitas a treinadores de bancada e outras que não; umas são putas (os estudantes destas aqueles que pagam mais caro) e outras donzelas.
Digamos que no primeiro ponto, chamemos-lhe “Arena do Saber”, uns encontram-se fora de jogo mas dentro dela, enquanto outros - os escravos - combatem estóicamente sob um pano de fundo de prazeres repugnantes e opiniões múltiplas dos que assistem. Noutra “Arena do Saber” o jogo é dos que livremente jogam sem assistência malfeitora, metidiça e donos desta; os outros, bem... esses refugiam-se na outra “Arena” rindo-se dos escravos e fazendo vénias invisíveis aos que são livres. Numa, os jogadores nem homens são, o que permite aos outros participarem (pensam eles com toda a legitimidade) no jogo mas fora dele; noutra, os jogadores são pequenos deuses e, como tal inalcançáveis e, como tal, a assistência não pode existir pois esta seria indigna de tais seres profanos.
Assim se vive numa posição politeísta quanto às ciências da natureza e técnicas contanto a sua contemplação aos deuses omniscientes - e, por isso, impassíveis de discussão - que as compõem. Em oposição, vive-se numa posição anárquica e ateísta quanto às ciências sociais e humanas. Escuso-me e recuso-me a apresentar o porquê, foi já tudo dito.

16/12/2010

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