segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A MONTANHA

Sei que um dia morrerei

E com isso tudo o resto

Morrerá.

A Montanha que treparei

Cobrir-se-á de gelo que

Inundará

A subida que foi tão prazerosa.

Enquanto que agora não descerei:

Morrerei.

Já não terei o topo como objectivo

Nem as profundezas como algo a

Evitar.

Assim subir ou tentar não descer

Parece sobremaneira uma paráfrase de

Amar.

Viver é, tanto amar o processo de escalar,

Como amar o processo inevitável de

Escorregar.

Ora na morte posso amar

Não escorrego nem escalo, porém posso

Morrer.

Então que se encare a morte

Como o último acto de

Amor.

Que a morte seja o fim,

O fim da Montanha, o fim do

Amor.

Seja esse fim no seu fim

Seja esse fim no fim do início.

Primordial é que o fim

Possa ser aceite como fim de um

Amor pela vida.

Um amor pela morte como fim

De uma vida

Amada.


01/11/2010

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