sábado, 30 de outubro de 2010

SOBRE HEGEL

Numa leitura inicial a Hegel, o “espírito absoluto” que não é mais do que a “Verdade” parece-me inverosímel na medida em que, remete-nos para a inexorável e mais do que discutível questão: que Verdade é essa afinal? Sendo que para Hegel esta é o objecto primordial (ao que parece) da Filosofia, uma outra questão se impõe: o que é então a Filosofia? Eis uma interrogação que nem Hegel, nem Kant, nem outros me conseguiram esclarecer devidamente – se é que há esclarecimento possível. Pelo contrário, têm-me sim colocado e atormentado com mais dúvidas.
Admitindo que Hegel (tal como principalmente Kant) me fez, para já, admirar a sua filosofia sistemática e, digamos, idealista (absoluta é que me custa a aceitar), ela não é de todo suficiente para me preencher. O mesmo sucede com as filosofias antagónicas à hegeliana – epicurista, socrática, cepticista, etc.. Apraz-me um pouco de cada uma, porém o que é de relevar é o facto desses pequenos fragmentos que me vão alimentando não chegarem para atingir um ponto de saciedade (não absoluta, pois acredito que jamais o deverá ser) que me permita saber qual o apropriado regime alimentar a seguir por este meu corpo filosófico.

8/10/2010


Até ao dia em que hoje me encontro, todos os autores que conheci ao longo do (pouco) tempo foram, de certo modo, apologistas da filosofia platónica ou da aristotélica ou da pré-socrática. Pelo menos uma destas filosofias, filósofos modernos e contemporâneos tentaram, cada um à sua maneira, “reaquecer” as mesmas.
Finalmente, para minha satisfação e apaziguamento, identifico em Hegel aquilo que há imenso tempo pretendia fazer ver (permanentemente com medo que talvez estivesse errado): “ressuscitá-las significaria querer reconduzir o espírito mais cultivado, que entrou mais profundamente em si, a um estádio anterior”.
Agradeço a Hegel pela solidariedade antecipada para comigo; descansou – quanto a esta questão – o meu espírito atormentado. Salvaguardo-me dizendo que porventura o tempo, uma vez mais, poderá mudar-me. Contudo, para já sinto-me relativamente realizado. Até logo Filosofia Antiga! De ti não esqueço nem desvalorizo, mas não quero ressuscitar-te, não acho que deva. Veremos se assim será futuramente.

15/10/2010

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