segunda-feira, 14 de junho de 2010

Quem Sou EU Afinal?

“Quem és tu?”, perguntam-me. Assertivamente respondo que eu sou estas palavras que lêem; sou a vossa leitura destas palavras, sou textos e mais textos; sou vocês, sou o que vocês querem que eu seja. Sou indubitavelmente vosso e vocês são o que eu sou mesmo que eu não seja o que vocês são. Portanto, não me perguntem quem eu sou pois não vale a pena, é desnecessário, dispensável, escusado e inútil. Até porque é uma pergunta ousada e descontextualizada dentro do contexto em que estamos - eu sou aquele que escreve. Nada mais. O leitor deve meramente apoderar-se das minhas palavras, fazerem delas o que bem desejar, e se estas mesmas provocarem no leitor sensações ou pensamentos, sejam eles maus ou bons, elogiosos ou críticos, é esse o objectivo. Por isso sim, eu sou o que vocês quiserem: bom, mau, interessante, desinteressante, egoísta, altruísta, sensível, insensível... Enfim, eu não sou a pessoa, sou sim as pessoas – o que verdadeiramente sou como a pessoa diz respeito inteiramente a mim, mim esse que não existe quando aqui estou; mim esse que existe mas é um mim aqui e não lá.
Não há eu, há o eu de quem escreve que, pode ser num dia um e noutro outro. Os outros que receberam, parece-me claro, a mesma educação que eu recebi. São provavelmente irmãos, filhos dos mesmos pais que incutiram valores muito semelhantes, que semearam neles as palavras que entretanto são abusadas por estes, diria abusadas com tamanha insubordinação e ligeireza que fazem deles a mesma pessoa. Ora, os pais como semeadores acabam também por ser a mesma pessoa, ou seja, o eu sou eu, os meus pais, os meus irmãos, os meus filhos, os meus netos, os meus amigos, os meus inimigos, os conhecidos e desconhecidos... todos eles sou eu e eu eles.


O caminho a percorrer ainda é longo, todos estes entes de que falei serão cada vez mais e maiores, uns vão morrendo na caminhada, outros vão surgindo num processo que só findará na morte. Uma morte não física, a morte do ente que escreve, a morte do leitor. Algo é inequívoco: não deixarei de caminhar, as minhas pernas ainda estão bem frescas, todo o meu corpo está mais do que disponível para andar, porém sem correr. Para quê a pressa? Continuarei, não nego, na minha solidão (polémica por sinal) utlilatarista, na minha busca por mim e por vocês, na minha busca sem apropriação, sem entrega. Continuarei, não nego, na minha aventura pessoal e subjectiva pelo conhecimento tanto empírico como racional, na minha aventura pessoal e subjectiva pelo envolvimento de mim comigo próprio e de mim comigo próprio para vocês, mas comigo próprio – sempre!


14/06/2010


Bruno do Mar

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