domingo, 20 de junho de 2010

JARDIM

Desabrochar as flores que antes estavam no

jardim

de verde pálido, um verde incolor

Correr por ele sem pisar o que não existe

Até entenderes que ao entrares, o meu

jardim

Renasceu. Floresceu – florescer, dar a viver.

Encontraste-me numa nudez correspondente ao

jardim

Num, enfim, brilho estrelado, florescente

que por incógnita razão brilhou até queimar

Queimei-me com o meu inerente brilho

com o brilho que deste a brilhar com o teu

corpo

a chamar pelo meu e o meu pelo teu

Como estrelas que se fundem numa só

Uma fusão de imensidão inigualável

de brilho intratável, invisível




Assim foi, pensei, pensaste e pensam todos

mas não foi nem é:

a união de dois corpos é de uma falsidade

só comparada a de um daqueles

jardins

com flores artificiais, com árvores de plástico

Sexo é o engano do amor sendo que o amor

é o sexo quando equivocado

Se creio no belo e no sublime não poderão estar

no sexo nem no amor

Igualmente o sexo e o amor não são

Belos nem Sublimes.

Amor e sexo são a antagonia da magia

vento que muda de direcção,

vento que tudo leva e que nada deixa

nem a ele mesmo

Imagino um azul que reflecte o alto mar

imagino esse olho brilhar como eu brilhei

no meu jardim

Olho inocente, olhar doce vulnerável como um doce

O vento leva o olho, os olhos e o olhar

para o alto mar, para a sua génese

O azul volta à origem, e o olhar inica o seu fim

mesmo exactamente quando todos pensam

que tudo agora começou.

Eu vejo simplesmente que tudo acabou.



21/06/2010

Bruno do Mar

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