domingo, 27 de junho de 2010

BELEZA (a Bernardo Bertolucci)

A beleza afugenta-se quando queremos tocá-la quando os nossos dedos não são dignos do seu toque. Afasta-se em grande velocidade em direcção à incomensurabilidade que as nossas mãos não entendem, nem a razão que nos impera compreende. A beleza está em nós não estando nós nela, parte de nós mas repela-se para um fim que é impossível, intolerável, incompreensível. Somos o criador mas não somos a beleza. Quando dizemos de uma mulher que é bela, a sua beleza está lá, mas é a beleza que é bela – não a mulher. A mulher transmite a beleza, é a sua criadora, nós que percepcionamos somos o seu receptor enquanto que a beleza nem é criadora nem receptora: é a transcendentalidade do inexprimível, do abstracto, do impalpável. Não pode, portanto, nunca ser roubada e/ou consumada.


21/06/2010

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