terça-feira, 11 de maio de 2010

Queda de uma Folha

Hoje é ontem e o ontem amanhã, sendo que hoje deixou de ser ontem nem será amanhã. O tempo inexistiu a partir do momento em que tudo que me rodeia perdeu a sua comum e normal importância.
A perda referida evoluiu numa total perda, do que é exterior para o que é intrínseco e interior; enfim, perdido e flutuante encontra-se actualmente o meu ser, um ser involuntariamente deambulante – voluntariamente estaria sentado na cadeira iluminada por um sol acolhedor onde os meus olhos pudessem ao longe avistar o espelho que reflecte o que sou e como estou.
É certo que não escolhi estar onde não estou, preferiria estar no estar mas assim não acontece. Portanto, aceito, quase como que uma folha a cair de uma árvore em pleno Outono, esta perdição e queda lenta num abismo indefinido sem que faça grande alarido por tal facto. Cair nesta fase abismal pode não ser negativo, nem consigo discernir se é positivo, como também não entendo se a cadeira iluminada onde me queria encontrar e onde quase todos se encontram é a verdadeira positividade; eu sei lá!, não sei se estaria melhor antes. Agora vou flutuando, tenho dificuldade em sentir e cimentar pensamentos e sensações. Todavia, assim pareço continuar por tempo indeterminado fazendo da aceitação o meu fardo.
Adeus tempo, adeus alicerces. Olá intemporalidade, olá céu. Esqueci o meu nome e os vossos nomes, libertem-me pois eu já me aprisionei na exagerada e indefinível liberdade.

11/05/2010

1 comentário:

Anónimo disse...

Revejo-me nestas palavras...beijo ana