terça-feira, 24 de novembro de 2009

Egoísmo Recíproco-Moralista

Há um dualismo que quando penso nele me comina inicialmente uma intriga falível, por conseguinte uma dúvida que se multiplica e me remói. Falo-vos das noções de Egoísmo e Altruísmo, frequentemente utilizadas coloquialmente como também aplicadas em específicas áreas do saber, como é exemplo a Filosofia. Note-se que, do ponto de vista etimológico ambas as palavras designam sem parêntises ou apartes o seu real significado (embora Altruísmo tenha nascido apenas com Augusto Comte). É sabido – por uma análise comparativa com o significado de muitas outras palavras – que o sufixo ismo invoca uma noção de culto a algo, alguém. Enquanto que ego e alter corresponderão em português às palavras “eu” e “o outro”, isto apesar de ambas provirem do latim e não terem sofrido nenhuma alteração etimológica e/ou semântica na sua transição para o Português, o que por isso também nos permite simplesmente dizer ego e alter.
Ora, retomando o raciocínio inaugural, dizia eu que o dualismo Egoísmo Altruísmo me provoca uma reflexão interessantíssima. A questão a que me proponho é entender o porquê de não existir um meio entre o ego e o alter. Isto é, entendo o Eu (entendo o seu significado, já do ponto de visto filosófico será uma outra questão já muito debatida e trabalhada, à qual espero um dia também eu me desafiar a esse labor), simultaneamente entendo de igual forma o alter, no entanto, pergunto-me e pergunto-vos se Eu sou eu e tu/ele/nós/vós são o que são, então o que é que estará no espaço entre estas duas noções? Será esta, meramente, a primeira questão que em cadeia levar-me-á a outras questões, mas terá indubitavelmente um papel semelhante às palhetas no pinball, pois qualquer outra a ser materializada remeter-me-á a esta mesma, e daqui não sairei até a bola cair no fundo da minha desilusão racional sobre a possibilidade de respostas a perguntas de carácter metafísico. É apenas uma previsão que faço, não muito arduamente virá, logicamente, a ser verdadeira, porém uma outra previsão farei: com mais alguns créditos (pressupõe-se que créditos servirá de analogia para tempo e novas motivações) a bola surgirá uma vez mais, e ciclicamente no “lançador” para, portanto, ser lançada novamente e assim novas questões colocar-se-ão, novas dissertações se realizarão.
Não obstante, estas últimas ideias terem uma conotoção de conclusão, na realidade não o é: é sim uma preparação para o que irei defender, salvaguardando-me à partida com uma humildade, digna de um Karl Popper, de como não conseguirei, porventura, ser convicente e conclusivo (justifica-se assim a minha conclusão antecipada, finalizarei este texto, por isso, com a minha teoria). O que defendo, portanto, é que tem inevitavelmente que existir algo entre o ego e o alter, há que ser criada uma ideia que se venha interpor com o dualismo de Egoísmo Altruísmo, resultando depois um meio termo que, pessoalmente, acalmará a minha alma. Ademais, todos os meios termos parecem-me desprezados pela mundo dos significados, existindo contundo no mundo das ideias, pelo menos para mim (não sei se como Platão lá cheguei por contemplação). Entre o ódio e o amor existe sempre muitos outros sentimentos que compreendo não poderem ser enclausurados num só, mas nenhum deles se relaciona e se intromete entre este dualismo. É um exemplo obviamente dos mais básicos, mas como este existem imensos outros, que me faz pensar que as extremidades são bem mais atractivas do que o equilíbrio. Logo, é precisamento esse equilíbrio que procuro e idealizo praticar: ser egoísta, por simplesmente valorizar ou sobrevalorizar (como queiram) não só o Eu como tudo o que seja em mim envolvente, e por outro lado, pensar - quando assim me for exigido pela minha moral e pelos meus sentimentos - no outro, ajudá-lo, enfatizá-lo, reconhecê-lo, amá-lo sem querer nada em troca. Contudo, realço que acima de tudo o Egoísmo quase que prevalece por completo, digo quase, mas não só. Ora, que nome podemos dar a um egoísta e altruísta? Que nome damos ao que está entre o ego e o alter?
Levando em conta os pressupostos acima referidos, atrevo-me a dizer que serei um Egoísta Recíproco-Moralista, metaforizando com a teoria sociobiológica de Robert Trivers de Altruísmo Recíproco. Escusado será justificar o porquê de Egoísta, enquanto que me auto-intitulo como um Recíproco-Moralista (seja lá o que isso for, simplesmente anseio pelo um rótulo) porque não espero nada mais dos outros que o sejam também, todavia torcendo para que moralmente contribuam para o meu bem estar como eu sempre o farei. Ficaríamos todos a ganhar, sem que houvesse uma grande exigência altruísta entre todos nós.
Ora, como de mim posso dizer o que bem me apetecer, aqui fica! Quanto ao resto, a bola há-de ser novamente lançada, se alguém achar valer a pena.

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