terça-feira, 23 de setembro de 2008

Guerra do conhecimento

Pudera ser eu a luz do Sol que tudo ilumina e a luz escura da noite que tudo escurece.
Pudera conseguir atraír a mim todo o conhecimento - o certo e o errado - sem que para isso, comece lutas interiores destrutíveis.
Uma guerra com batalhas diversas, umas (poucas) ganhas outras perdidas, vai-me desgastando ao pouco e, contraditoriamente vai-me também, fazendo ter motivação para viver. Porque viver é conhecer, conhecer é viver. Respirar é o início da aprendizagem , viver é o desenvolvimento dessa aprendizagem e a vida como um todo é o conhecimento (quase) absoluto.
Respirar não custa: é inato ; viver é vento que nos leva para onde ele assim quiser, resta-nos forçar o caminho que achamos melhor, mesmo que seja em sentido inverso - poderá ser bastante doloroso; A vida é um sonho: algo a alcançar, mas demasiado inalcançável - o conhecimento absoluto não existe em nós, porque nem sequer temos a noção do que é abosulto, não há um limite.
Continuo com esse sonho, com essa guerra que me invade como um inimigo pronto a atirar e a ganhar. Eu respondo com tiros de saberes superficiais, com o desejo de mais.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Troglodita

Bem longe do meu mundo, mas bem perto fisicamente ouço palavras que pairam no ar e se tornam ilegíveis. Ilegíveis porque se direccionam para o meu sistema auditivo e surdas porque se intrometem no meu campo de visão. Outrora vozes apoderavam-se desta sala onde estou inserido, contudo as vozes metamorfaram-se em sons, por sua vez em frases, de seguida em palavras até no meu ser nem sequer existirem mais. Elas continuam a seguir ou seu rumo, mas já não as percepciono. Sempre ou quase sempre elas ainda tentam, com fragilidade, invadir-me o espaço. Irrito-me (!), visto que algo que não existe lá vai existindo, ou fazendo que existe.
O Troglodita que lança esses sinais sonoros, esses símbolos de descrição imperceptível, emite a sua segurança de quem quer fazer mal por gozo. O seu charme maldoso vem-se confundindo com poder, a que todos nós que o rodeamos obedecemos tranquilamente. Assumimos nós que o Troglodita é rei desta natureza e que a sua função não é mais do que essa : ridicularizar-nos e infernizar-nos com tais medonhas acções. Assemelha-se a um ser pacífico, que rejeita o conflito e preocupa-se com o bem estar comum, mas engana-se quem assim observa. A análise é muito mais feita entre linhas do que qualquer livro de Saramago, esta é uma personagem típica de um policial onde o assassino é aquele que todos nós menos esperávamos. Ele é de facto o assassino: o assassino de mentes, o assassino de sentidos. Foi absolutamente necessário refugiar-me em mim porque tudo o que tenho que me permite captar o exterior foi, voluntariamente, feito o "shift + delete". O escumalha bem que é persistente mas eu não o deixo entrar. Assim deve ser. Não me deixarei corromper.
Porém, os meus companheiros estão, tal como eu, desde sempre a sofrer nas mãos daquele bicho. Será que eles adoptaram a mesma soluçao que adoptei ?! É impossível perceber, não estou presente. E agora ?! Penso neles. Atingirar-lhes-á aquelas armas exactamente como a mim me atinge ?! Torço que não as encarem de tal forma. Espero sinceramente que estejam bem. Cumprimentos sentidos a quem está aí fora.
Agora, e por fim, vou desligar-me e voltar mais tarde a reiniciar-me, aí já fora de perigo espero. Memorizo este dia, guardando-o no meu disco rígido, passando a informação, antes de mais, pelo um anti-vírus veroz. A pasta principal é hoje e sempre: nós. Nós somos a razão pela qual eu luto. Luto por mim, mas sobretudo por nós.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Por detrás do Espelho




A luz da vela que incendeia o meu espírito mantém-se simetricamente acesa, uma simetria que os meus olhos não conseguem acompanhar. Pudera eu ser uma chama que não se apaga e que constantemente ilumina quem está ao seu redor. Por vezes, exteriormente escureço-me, reflecte muito pouco do que existe atrás do espelho. Aí o fogo consome tudo o que existe para consumir, semelhante a um presumível inferno onde ninguém entra a não ser eu. O meu inferno particular de onde não posso sair, e que tanto segue os escritos da bíblia como os contraria, acabando por ser aqui e acolá muito reconfortante e poderosamente motivador.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

RENOVAÇÃO DO BLOGUE - "A Cela"





Aprisionado na minha impotência racional que desde logo racionalizo a potência a alcançar. A razão não é mais do que uma pequena cela bem decorada e acolhedora, com uma janela sem grades de onde podemos avistar qualquer paisagem ou cenário; de onde, inclusive é possível nos libertarmos, avançando-a e encarando a livre irracionalidade. Muitos, provavelmente, nunca lá estiveram presos, outros desprenderam-se facilmente através daquele quadro pitoresco, eu (como alguns infelizes) desejo árduamente sentir todas aquelas cores, cheiros, materiais e emoções que daquele cubículo admiro. Não consigo. Desejo mas não quero. Quero mas não quero. Receio. Porque recear é o pão nosso de cada dia quando presos estamos.
O medo que consequentemente surge é fruto de uma razão pura e permanente. É a doença/trauma que no corpo humano se propaga quando este se alimenta de pensamentos e análises que não passam apenas disso.

Hoje, observo e imagino o que está lá fora. Vejo-a, a ela, olhos claros viciantes só de olhar. Sento-me e continuo a observar. Racionalmente, vejo o que poderia ser, mas não o é. Sorrisos partilhados ao som de uma música para além de sonora, sem nunca desviar os meus olhos dos dela. Ironicamente, a razão que me possibilita aqui e agora imaginar, é um sonho onde nele não existe razão. Até porque é isso que idealizo: sentimentos que me preencham o ego e me esvaziem o cérebro.
Pouco a pouco, aqueles olhos verdes azulados vão-me comendo a matéria presente no meu crânio. Faz-me dar uma gargalhada, e outra. Cada vez mais, até horas depois ficar inteiramente leve.
Entretanto, levanto-me e aproximo-me da janela, o filme continua. Dou-lhe as mãos e sinto. Finalmente sinto. Anseio lá chegar e sentir ainda mais. Ela chama-me, o meu coração implora, quero saltar ! Enfim, beijamo-nos suavemente, um toque de seda nos lábios carnudos com um fundo branco e querido de uns dentes que até ali enfeitavam o seu reconfortante sorriso.
Cai no chão desta sala que me prende, a primeira lágrima de uma felicidade meramente imaginada. Só falta um abraço naquele ser que me faz escrever este texto, será realidade quando o meu corpo encaixar com o dela. Tenho, por tudo que saltar esta janela. Tenho que a saltar ! Tenho que me libertar ! Tenho ! Devo ! É melhor que consiga !
Contudo, fico por este ter, dever e melhorar. Não consigo mais do que isso. Sento-me novamente, deito-me por fim, e com as mãos na nuca servindo de apoio à cabeça, lembro-me como seria mas que não é.
Aprisionado pela razão.
Vou-me encontrando lá contigo enquanto não ganho coragem para mais.