sábado, 27 de outubro de 2007

Faminto

Sede de conhecimento, fome de pensamentos organizados em pequenas gavetas, onde sempre que assim quisesse poderia escolher qual o alimento para cada dia.
Ser faminto na razão é, exageradamente distinto da necessidade puramente fisiológica do alimento comestível. A grande diferença está na insaciedade : por muito que se coma, o estômago superior sentir-se-á, sempre, insensivelmente vazio ou talvez indigesto.
Mera informação infinita, ilusivo infinito, que me faz ganhar litros de saliva racional, que me ampara da desidratação, mas me consome pela gula e a frustração de poder cheirar, de poder tocar sem, no êxtase, conseguir transformá-la no nosso devido alimento. Estado de loucura !
Futuramente, a indigestão continuará, continuando eu por necessidade e obrigatoriedade a tomar os meus medicamentos : uma caneta nos dedos durante duas horas, digerida com papel para saudavelmente ser registado pelo estômago superior; e pois claro, uma colher de pensamentos soltos, depois de todas as refeições reflectivas, que levarão à criação de anti-corpos de palavras.


A razão, a alma, a psyche, o que assim lhe queiram chamar, sendo o veículo prioritário na vida do Homem, sem dúvida alguma, permitir-nos-á praticar o Bem, incutir valores e princípios a todos que nos vao rodeando, fazendo do Mundo um lugar cada vez melhor. No entanto, as estradas que esse veículo percorrerá serão certamente sinuosas, levando a vómitos e enjoos racionais, que finalmente se concluirá num diagnóstico : quem é guiado pelo pensamento tem o poder de criar a Saúde, mas nunca será saudável.

1 comentário:

dri disse...

essa fome é boa,mas se viveres obsecado com engulir todo o conhecimento que conceguires, acabas por nao degustar convenientemente o conhecimento na altura que te é dado e pela pessoa que to dá, e perdes assim alguma parte dos nutrientes que todo esse conhecimento deveria dar...nao?!gostava que tambem tivesses tempo para intrecalar esses pratos "top" com comida mais "light":)