terça-feira, 23 de outubro de 2007

Antítese

Escrever poderá ser, nada mais nada menos, do que uma antítese óbvia da razão. Não haverá melhor disfarce carnavalesco, a máscara das sintaxes permite a quem a utliza com ajuste e perícia inúmeras formas de enganar a razão. A sua*1 e a de todos*2.

*1 A sua é enganada inconscientemente, pois as palavras tomam um controlo incalculável e imperceptível, pois é isso que o faz mover, é um poder incontrolável, é uma oligarquia da linguagem, onde a alma primeiramente quer governar, mas pobre deixa-se ser governado pelo que é mais apetitoso. Aí temos mais uma antítese curiosa : para liderar é necessário ser liderado. A razão por tanta vontade (Muitos falam o quão incorrecto e prejudicial pode ser a vontade) de manipular a vida, é batida sem mágoa pelas próprias armas simples/banais da própria vida.

*2 A de todos é, minuciosamente, defraudada, desta vez conscientemente (terceira antítese: Consciência e Inconsciência) pela razão de quem a se serve do dom da palavra. E afiarmar-me-iam : "Estarás a contradizer-te, pois anteriormente, terás dito que a razão é manipulada, portanto não poderá, por ventura, ter a capacidade de manipular outrem". A refutação a essa afirmação é-me facilmente explicável e, absolutamente, descritível : o activo controla o passivo sem sequer se aperceber que ele está também a ser controlado pela mesmíssima arma que está a usar e a abusar para dissuadir o objecto. Ou seja, a mentira prevalece sem ninguém concluir que é uma mentira. Porque acima de tudo, cada um mente e aldraba a sua razão, encadeando a razão de todos outros numa bola gigante e em crescimento, sem fim á vista, de mentiras e mais mentiras.

Depois destas duas situações, a conclusão dúbia, sempre dúbia, que posso chegar é que incessantemente, tem-se tentado, sem sucesso, alcançar uma desejada e, acima de tudo, intolerável verdade ! Mas a buscar será interminável, visto que enquanto existir a antítese raínha nada fará sentido : existem mentiras, mas só existe uma verdade. Porquê ?! Prefiro acreditar no valor antitético da coisa, siginficando, prefiro realmente acreditar que a minha verdade pode ser mentira, e a tua mentira pode ser verdade, e que a minha verdade pode ser a tua mentira, e a minha mentira pode ser a tua verdade ; prefiro acreditar governar-me a mim próprio e deixar-te governar-me, ou governar-te a ti e tu a mim ; prefiro conscientemente atingir a minha inconsciência, ou inconscientemente ser consciente. O importante será nunca deixar nada de lado, não excluir o que é contrário, não ter medo do erro, do que é falso, do que é sentido, do que é causado por percepções duvidosas.

Certamente, optarei pela pluralidade e não pela singularidade, optarei pelo tudo e o nada e não pelo DEFINIDO.

Escrever poderá ser, nada mais nada menos, do que uma antítese óbvia da razão.
Estou a ser altamente contraditório, não ?!

Deixem-me usar a minha máscara de Filósofo da treta para enfraquecer a ridícula busca pela verdade.

Eu sou a antítese.

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